“Amizade” de Cao Guimarães
Por Enrico Alchimim Uma odisséia vomitada. É o que diz um dos amigos de Cao Guimarães em uma das muitas conversas que o diretor gravou ao longo de sua carreira. Aqui, em Amizade , são as muitas amizades, e há de perdoar-me a repetição, de Cao Guimarães que servem de combustível para suas reflexões. Esta odisséia vomitada da qual fala o amigo não diz respeito ao filme que assistimos, mas serve muito convenientemente como ponto de inflexão do discurso de Guimarães para resumir o próprio filme, suas imagens e sons. Em primeiro lugar, é impressionante a vastidão do acervo pessoal de Cao Guimarães, que registrou momentos íntimos em super 8, betacam, VHS, celular e outros formatos. Apesar de vermos tais imagens percorrerem o filme todo, Guimarães não as articula através de um formato específico, na verdade, o diretor mal as comenta. Passamos por elas como as paisagens passam rapidamente pela janela de um carro. Se há uma frustração que surge disso, é preciso abandoná-la logo de ca...